
Hoje Núbia Ólliver completa 35 primaveras e para homenagear essa data tão importante nada melhor do que relembrar o maravilhoso depoimento dado por ela em 2001 para a revista Istoé Gente. Pegue sua pipoquinha e boa leitura!
Os trinta dias de choro de Núbia Ólive
“ É a história mais triste da minha vida. Aos 14 anos, meu pai descobriu que eu não era mais virgem. Fui tirada dos estudos e praticamente trancada na fazenda dele. Aos 16, fui morar num pensionato, em Uberaba. Era bonita, andava de mobilete e tinha um namorado 32 anos mais velho.
Certo dia, em 1991, quando eu tinha 17 anos, foi noticiado que havia um caso de aids em Uberaba e que suspeitavam de uma morena que andava de shortinho, dona de uma mobilete. Uma equipe de tevê invadiu o pensionato me acusando de transmitir a doença para outras pessoas. Chorei e gritei muito. Imagina, vivia numa fazenda! Nem imaginava o que era aids. Disseram que não colocariam a matéria no ar se eu fizesse o teste. Topei.
O sangue seria levado para Belo Horizonte e o resultado sairia em 30 dias. Fui discriminada em Uberaba. Era xingada na rua, não fui mais ao colégio e tive de vender a mobilete. Foram 30 dias de choro. Fiquei preocupada em estar com o vírus. Tinha tido relações com dois garotos e não havia me cuidado. Quando fui ao laboratório saber o resultado do exame, o envelope estava aberto. Meu caso virou uma questão pública. O teste deu negativo, mas levei um sermão do médico, uma aula do que era aids.
A raiva que senti de quem me acusou era maior que a alegria de estar com a saúde em dia. Liguei para o repórter que me caluniou. Ele me pediu desculpas. Se fosse hoje, eu processava. Já pedi exame anti-HIV para algumas pessoas com quem me relacionei. E já houve alguém que, antes de me dar um beijo, me pediu um exame. Ele tinha 56 anos e eu, 22. A minha reação não foi: ‘Pô, o cara tá desconfiando que eu sou suja, que tenho aids’. Seria ignorância. Fiz os exames, transamos uma semana depois e ficamos juntos por seis meses.
Há quatro anos correu um boato nos bastidores do meio artístico de que eu estaria com aids. Havia emagrecido, estava com 51 kg. Ria dos comentários. Sabia que não fazia parte do grupo de risco. Já havia feito parte, mas na adolescência. Saí nua em 17 capas de revistas. Nas duas novelas em que participei apareci nua. Sou praticamente rotulada no sexo. Mas, graças a Deus, nunca tive uma doença venérea.”
Parabéns, Núbia! Desejamos que você viva mais 35 anos limpinha, sem aids. Beijão.




